Capacitação de Professores às Novas Tecnologias

O uso educativo das Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação (NTICs) traz um embasamento sobre a aplicação de novas formas de aprendizagem, quais os conhecimentos procurados pelos alunos e como o professor atuará.

As novas tecnologias exercem um papel atrativo e, além de trazerem um encanto maior do que o mundo apresentado em sala de aula, são responsáveis por constituírem bases morais, comportamentais, referências sociais e influências, e pode-se acrescentar que não há limites nas informações disponíveis. Elas estão exercendo um papel significante. As informações e as mensagens expostas no meio televisivo, radiofônico e, principalmente através da Internet, designam valores e conhecimentos, abrangentes e estimulantes, mas o amplo acesso às informações configura um descontrole e um “acriticismo” frente aos conteúdos. Mesmo com a necessidade e a grande possibilidade de se trabalhar com tais informações, os professores se ajustam a programas educativos fechados, tradicionais, não integrados com este conhecimento e se afastam do contexto social atual, levando-o a um natural despreparo e, consequentemente, a um medo à adequação.  A preparação docente para a aplicação útil das NTICs em sala de aula é o primeiro passo para que os alunos possuam uma base de análise crítica diante de todas as informações disponíveis.

A educação deve capacitar as pessoas não apenas para o consumo crítico das tecnologias, mas também para a criação de meios para expressar suas próprias mensagens. (GARCIA, RABELO, SILVA, AMARAL. 2011. p.84)


Ou ainda, “agregar à prática docente as tecnologias digitais significa contribuir para o seu desenvolvimento de uma nova metodologia  educativa” (GARCIA, RABELO, SILVA, AMARAL. 2011. p.84).

A educação revolucionária, ou usando o termo de Freire, a educação “libertadora”, é fundamental para que a consciência do aluno seja privilegiada frente às necessidades neoliberais do meio social.  É imposta uma realidade “mágica” pela mídia, e

tanto as crianças como os professores vivem num espaço social mediatizado por mensagens televisivas, radiofônicas, jornalísticas, etc., capazes de provocar alterações nos comportamentos, criarem referências para o debate público, influenciarem na tomada de decisões, além de revelarem, muitas vezes, os próprios limites do discurso pedagógico.” (CITELLI, 2000, p.140)





A adaptação do professor a essa nova realidade deve “ultrapassar a lógica transmissiva”, conteudista e tecnicista. A inserção social dos alunos deve ter embasamento crítico. Professores competentes conseguem este feito. Traz-se a palavra “competente” na definição de  Perrenoud, trazida por Garcia, Rabelo, Silva e Amaral, onde há “a capacidade de agir de modo eficaz em uma situação específica, apoiado em conhecimentos, mas sem que se limite a eles”. (GARCIA, RABELO, SILVA, AMARAL. 2011. p.84).

O objetivo é o de equipar intelectualmente alunos e professores para o melhor entendimento dos significados, mecanismos de ação e resultados práticos ensejados pelos media e pelas novas tecnologias. (CITELLI, 2000, p.147)


É fundamental o treinamento de professores para trabalhar com todas as informações existentes e aplicar, com utilidade, as NTICs. Há “necessidade de se conscientizar o professor de sua responsabilidade em promover condições favoráveis ao desenvolvimento do autoconceito de todos os alunos” (ALENCAR, 1999, p.49), em seguida, mas não de forma distinta, percebe-se a formação de “educomunicadores”, nomeados assim por autores como Citelli (2000), ou de formadores de “mídia-educação”, por Evelyne Bévort e Maria Luiza Belloni (2009),  pois há a “necessidade de fazer surgir um novo tipo de profissional que consiga pensar de forma articulada duas áreas cada vez mais interdependentes na sociedade contemporânea” (CITELLI, 2000, p.137-138).

O grande problema é que os professores não têm inovado a metodologia com a utilização de suportes diferentes, o que acontece é a substituição do quadro de giz, por exemplo, pelo uso de transparências, mas da mesma forma, evitando apenas o sujar das mãos com o giz, não havendo uma inovação nas aulas. (BRITO;FILHO, 2009,p.18)





A nova delimitação que deve ser adotada por professores diante das informações irrestritas é levar ao aluno a ideia de que o aprendizado é “um encontro em que se busca o conhecimento, e não em que este é transmitido.” (FREIRE, 1971, p.79)

As pessoas estão formando milhares de tribos de interesse culturais, conectadas menos pela proximidade geográfica e pelos bate-papos no local de trabalho do que pelas preferências comuns. Em outras palavras, estamos deixando para trás a era do bebedouro, quando quase todos víamos, ouvíamos e líamos as mesmas coisas, que constituíamos um conjunto relativamente pequeno de grandes sucessos. E estamos entrando na era da microcultura, quando todos escolhemos coisas diferentes. (ANDERSON, 2006, p.183)

A aplicação das NTICs, enfim, resume-se na aceitação das transformações necessárias, integração e capacitação qualitativa de professores e alunos. Interação com, e através de recursos digitais já sociabilizados.


por Francisco Arquer Thomé – professor e jornalista.
Apresentado à Profª. Dra. Mônica Cristina Garbin, de Tecnologias e Docência.
(professora Mônica, este texto foi feito exclusivamente para a senhora. Aproveitei e publiquei aqui. Não plagiei de mim mesmo tá? rsrs)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDERSON, Chris. A Cauda Longa: do mercado de massa para o mercado de nicho. Trad. Afonso Celso da Cunha Serra. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006.

BRITO, Gláucia da Silva; FILHO, Paulo Negri. Produzindo textos com “velhas” e “novas” Tecnologias. Curitiba: Pró Infantini Editora, 2009.

CITELLI, Adilson. Comunicação e Educação: a linguagem em movimento. São Paulo: Senac São Paulo, 2000.

FREIRE, Paulo. Extensão ou Comunicação? 6.ed. Trad. Rosisca Darcy de Oliveira. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1971.

GARCIA, Marta Fernandes; RABELO, Dóris Firmino; SILVA, Dirceu da; AMARAL, Sérgio Ferreira do. Novas Competências Docentes Frente às Tecnologias Digitais Interativas.  p.80-87, 2011.

BÉVORT, Evelyne; BELLONI, maria Luiza. Mídia-Educação: Conceitos, His´toia e Perspectivas. Em Educ. Soc,. Campinas, vol 30. N. 109. p. 1081 – 1102, 2009




Deixe uma resposta

Seu e-mail não será publicado.

um × três =