ago 13 2017

A prostituição e os bons costumes religiosos




OPINIÃO

 por Francisco Arquer Thomé
Ano da Publicação: 2005

A religiosidade guarapuavana busca aperfeiçoar os bons costumes, mas alimenta a saciedade pelo preconceito.

Quando se fala em prostituição feminina, lembra-se imediatamente de um beco escuro cheio de mulheres com roupas justas ou de alguma senhora religiosa inconformada com a “atual situação do mundo”.

A venda de serviços sexuais existe há aproximadamente 25 mil anos, mas é com o crescimento do devoto religioso ocidental que a prostituição foi marginalizada. Em cidades como Guarapuava, interior do Paraná, em que as igrejas possuem um grande domínio de julgo sobre o certo e o errado da sociedade, a prostituta é obrigada a enfrentar situações semelhantes a que existiam há mais de cinco séculos, sua animalização.

Ao caminhar pelas Avenidas XV de Novembro ou Padre Chagas após as 21 horas, nota-se que as prostitutas possuem, além da objetivação sensual de suas atitudes (haja vista a necessidade do emprego), um extremo medo de sofrer com o preconceito imposto pelo convencionalismo religioso.

A maioria das pessoas as tratam com requinte de inferioridade. Embasadas na “lei da moral e dos bons costumes”, que todos afirmam ser uma verdade indiscutível de Deus, desaparece qualquer possibilidade de autocrítica relacionada a valores humanos, indiciando e facilitando a existência de violência, de estupro, de maldades exacerbadas e de assassinatos hediondos.

As profissionais do sexo não têm a quem recorrer, já que a judiciosa interpretação bíblica, e sua “verdade absoluta”, padronizam as formas de pensar da polícia, do ladrão, do demônio e do santo.

Enquanto isso, os homicídios continuam na complacência dos higienizados.




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