O que é o whataboutism – ou “até tu, Brutus”


Recentemente, o termo whataboutism  tem ganhado luz e vem sido analisado por muitos estudiosos da comunicação e da política.  O professor Leandro Karnal traz um excelente texto que faz referência ao “tu quoque” de Brutus e como essa técnica de propaganda política vem sido usada ultimamente.


Aprendendo a pensar 

(por Leandro Karnal)


A) quando Júlio César estava sendo esfaqueado, teria dito “ tu quoque” ao ver Brutus entre os agressores. A expressão indica uma decepção, uma denúncia de hipocrisia. “ Até tu”?


B) A expressão passou a denominar um tipo de falácia. Significa que, ao invés de responder ao argumento, eu mostro a hipocrisia ou duplicidade de julgamento do interlocutor.


C) era comum no sistema soviético. Alguém dizia nos Eua: a Urss é governada por uma elite corrupta. As autoridades de Moscou respondiam: Nixon foi corrupto. Ou seja: se Nixon foi ou não corrupto, nada dele ilumina ou derruba o argumento da corrupção do partido comunista soviético. Falácia “ Tu quoque”.





D) Em inglês, chamamos de “whataboutism” ou “whataboutery”. Exemplo: “ seu candidato é ladrão”. Resposta falaciosa: “o seu também é e você não denunciou”. Onde está a falácia? O argumento do meu candidato ser ladrão ou não é irrelevante sobre a afirmação da corrupção do seu candidato. Se o meu fosse um arcanjo ético ou um ladrão, nada mudaria a afirmação sobre seu candidato. Trata-se, na verdade, de uma técnica de propaganda e de estratégia política.


Exemplo cotidiano de whataboutism falacioso: “ É um absurdo a morte da menina X”. “ É, mas do menino y, você não reclamou”. O uso da falácia indica má fé ou burrice. Sempre é um recurso político indicando vazio de contra-argumento.


Este texto acima foi originalmente divulgado no
+ Facebook do Prof. Leandro Karnal.


Se você quiser se aprofundar um pouco mais no tema, o whataboutism já foi colocado por John Oliver em 2017 em seu programa (com legendas).




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