Por que o “i” tem um pingo?


fonte:  Nomes Científicos. (+Curta e Acompanhe)


Tia Mirna, minha professora da primeira série do primário, contou uma história que me deixou impressionado.  Disse à classe que, antigamente, havia a escola do alfabeto, onde estudavam todas as letras. Como as letras ‘i’ e ‘j’ fizeram muita bagunça, a diretora lhes colocou um sinal sobre a cabeça como forma de castigo. ‘I’ e ‘j’, então, nunca mais puderam tirar aquele ponto.

Depois dessa, quem iria bagunçar na turma da tia Mirna? Ela nos pôs um baita medo e não contou o motivo de essas duas letras serem as únicas do alfabeto latino que, obrigatoriamente, devem ser grafadas com um ponto na parte superior.

Bem, tudo aconteceu “há um tempo atrás na ilha do sol” na Europa Medieval. Com a escrita apenas manual, um estilo que estava em alta era a fonte gótica, baseada na alfabeto gótico, muito popular nos livros alemães. Essa tipografia era muito bonita e rebuscada, mas de leitura difícil.

Um dos problemas do gótico é a semelhança entre dois ii e ‘u’. Por exemplo, ‘aquarii’ (do aquário) poderia facilmente ser lido como /aquaru/. Diversos símbolos foram usados com o propósito de diferenciá-los, como o til e o apóstrofo, mas o ponto foi o que se estabeleceu como padrão a partir do século XVI. (Aliás, o que há sobre o ‘i’, oficialmente, é um ponto; pingo é só no Brasil.)





Demorou algum tempo até que todos os copistas (os que transcreviam manualmente os livros) usassem o ponto sobre o ‘i’. Os mais tradicionais se negavam veementemente, mas, quando outros transcreviam os textos já com o ponto sobre a letra, era o momento de “se colocar os pingos nos ii”, ou seja, de esclarecer o textos. Essa expressão é usada até hoje quando, enfim, se explica algo nebuloso.

O ‘i’, antigamente, funcionava como vogal e como consoante (semivogal). Por exemplo, justiça e Jesus, em latim, eram escritos na Antiguidade como ‘iustitia’ e ‘Iesus’. Só no século XVI é que essa ambiguidade foi resolvida tipograficamente. O gramático italiano Gian Giorgio Trissino, um defensor da clareza na escrita, para diferenciar as duas funções da letra, ele propôs que o ‘i’ consonantizado fosse escrito “com uma cauda”, ou seja, que fosse espichado para baixo. Nasceu aí a letra ‘j’.

Veja no texto da figura dessa postagem a semelhança entre ‘i’ e as retas de ‘u’ e o ‘j’ como nada mais do que um ‘i’ esticado. Mas, não…. Tia Mirna preferiu tocar o terror na nossa alfabetização.




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