A língua portuguesa é machist@?


 

A língua portuguesa é machist@?

(por @NomesCientificos)

Como esta página trata de nomes, finalmente, tomei fôlego opinar sobre a tal da “gramática inclusiva” que tenho visto nas universidades e em alguns grupos ativistas.

Alegando que a língua portuguesa seria machista, muitos tem empregado palavras que seriam “neutras”: usam outro grafema no lugar da vogal (amig@s, alunes, diretor_s, professorxs), os dois gêneros em todas as frases (os caros seguidores e as caras seguidoras talvez se sintam cansadas e cansados de ler coisas assim) ou apresentam as duas vogais (as/os prezadas/os amigas/os já devem ter lido algo assim).

O grande problema dessa percepção machista da gramática portuguesa é confundir gênero gramatical com gênero/sexo biológico (ou identitário). O gênero gramatical não reflete necessariamente o sexo da pessoa. Caso contrário, teríamos que fazer uma revisão profunda em palavras como ‘a criança, a vítima, a testemunha, a pessoa’, nas quais os masculinos não estariam contemplados. O poeta, o canalha, o déspota, o motorista seriam menos homens porque a palavra termina com <a>?

Isso é uma características que herdamos do latim. No latim, há os gêneros masculino, feminino e neutro. O neutro serve para coisas, grupos de homens e mulheres (ou machos e fêmeas) e grupos onde o sexo não é relevante. Com a evolução do latim para o português, apenas por uma questão de similaridade de pronúncia, o gênero neutro se mesclou ao masculino. Por exemplo, ‘amicus’ (masc.) e ‘amicum’ (neutro) viraram amigo em português; ‘amica’ ficou amiga.

Então, a palavra masculina não se refere só a homem.
Se alguém disser “não tenho amigo algum”, entendo que ela não tem amizade com nenhuma pessoa. Se quiser salientar que não tem amigos do sexo masculino, terá que dizer “eu não tenho amigo homem”. Isso é porque amigo, naquele contexto, não denota sexo (é neutro).

Já o feminino, é um gênero muito particular, bem marcado. As mulheres têm um gênero gramatical que as identifica como grupo. Em “as professoras” não há dúvidas da composição, 100% feminina. Se a Língua Portuguesa fosse machista, os homens teriam um gênero que os representasse como grupo, só deles.

Depois de procurarem cabelo em ovo, os acusadores da gramática machista apresentam “soluções” que não são práticas. Vejamos…

Apresentar os dois gêneros deixa qualquer texto cansativo. Já li artigos que empregam o tempo todo “professoras e professores”, “alunas e alunos”, “todos e todas” e confesso que essa inclusão dos gêneros em prol de uma pretendida igualdade gramatical tornou a leitura pesada e bem menos convidativa. Usar “os/as jogadores/as” tiram também a fluidez da lida.





Normalmente, quem adota <x>, <@> e similares para não marcar o gênero, negligencia deliberadamente mais outros aspectos práticos. Esses grafemas tornam as palavras impronunciáveis, gerando desconforto à leitura e, principalmente, à pronúncia. Como se lê “alunxs”?

Além disso, o que se chama de “gramática inclusiva” acaba contraditoriamente excluindo outros grupos (!). Palavras com <x> e <@> não ajudam disléxicos, estrangeiros, cegos que usam aplicativos de leitura, pessoas com todo tipo de problema de visão, alunos em fase inicial de alfabetização, pessoas com dificuldade cognitiva de leitura, e outras mais.

Por esses e outros motivos, uso de <@>, <x> e similares tem criado uma aversão em parte da população. Muitas pessoas deixam de aderir a campanhas e movimentos importantes só por causa disso. Já ouvi estudantes dizerem que não participam “dessas coisas de calourxs” por causa da escrita. Então, acho que se essa prática afasta em vez de agregar, não vale a pena.

Eu coaduno com o movimento pela igualdade entre os gêneros, mas acho que levá-lo para o campo gramatical, acusando a existência de uma “gramática machista”, é algo desnecessário e que não agrega à causa. Nesses casos, perdem-se tempo e foco em questões gramaticais em detrimento aos de ordem prática, que é o que realmente interessa.


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