abr 21 2017

“A 1ª impressão é a que fica” – O Poder do Efeito Primazia





Foi na década de 40 que Salomon Asch elaborou o conceito de “efeito de primazia”.

A experiência fundamental que permitiu identificar este fenômeno foi, na verdade, muito simples. Asch distribuiu em dois grupos uma classe de estudantes.

Ao primeiro informou que estaria visitando a classe alguém “inteligente, ativo, impulsivo, critico, obstinado e invejoso”.

O segundo grupo teve exatamente a mesma informação, ou seja, os mesmos predicados foram fornecidos, entretanto, com uma alteração fundamental, a ordem foi invertida. “invejoso, obstinado, crítico, impulsivo, ativo e inteligente”.

É bom notar que os adjetivos acima foram dados na primeira e na segunda ordem para os dois grupos, sem qualquer comentário e sem qualquer ênfase. Portanto, não apenas tiveram os dois grupos a informação mais sucinta possível. A única diferença foi a inversão na ordem dos adjetivos.

“A primeira impressão de uma pessoa influenciará a opinião de todos sobre você”.

Surpreendentemente, quando solicitado aos dois grupos a elaboração de uma avaliação quanto a sua personalidade, aos dois posteriormente a palestra do visitante, as opiniões foram inteiramente divergentes. O grupo em que as qualidades positivas precediam, ou seja, aquele que recebeu a informação cuja ordem começava pelas características expressas pelos vocábulos inteligente e ativo, descreveram o palestrante como basicamente uma personalidade positiva, sagaz e dinâmica, mas que as vezes poderia ser um pouco obsessivo.

O segundo grupo avaliara o palestrante como um individuo mesquinho, cuja inteligência era prejudicada pela teimosia obstinada.

Não apenas havia a simples antecipação de informações imposto preconceitos nos dois grupos, mas muito mais que isso,o preconceito dependia fundamentalmente da ordem que os atributos eram formalmente colocados.

Ou seja,a primeira impressão comanda em grande parte a formação de opinião.






A primeira impressão é a que conta. E as evidências científicas sobre este fenômeno do processo de percepção individual são avassaladoras.

As experiências de Harold Kelley vieram confirmar que eficientes são estes processos de persuasão.Se ouvimos falar que uma pessoa é autoritária ou obstinada antes de conhecê-la, vamos identificar esses traços de personalidade do primeiro contato.

Newcomb levou mais longe ainda o estudo desse fenômeno e, para descrevê-lo, desenvolveu o conceito de “hostilidade artística”. Autismo é um processo pelo qual crianças, principalmente se recolhem dentro do seu mundo interior, recusando qualquer estimulo externo. As experiências de Newcomb trouxe que, uma vez assimilada uma imagem, dificilmente mudamos nosso julgamento.
Recusamos “autisticamente” qualquer reavaliação. Entrincheiramo-nos em nossos preconceitos.

FONTE: Texto extraído de um artigo de Rogério C. Cerqueira Leite,publicada na folha de São Paulo em 19/04/87  via http://imperatrizsentimentos.blogspot.com.br




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