dez 05 2016

Meritocracia e o Desejo dos Animais




meritocracia análise

Análise da Meritocracia pela metáfora da “Seleção dos Animais” (charge acima)

Com esta charge, podemos analisar os valores que a sociedade constituiu. A felicidade através da ascensão financeira é a ilusão de maior crédito oferecido pela humanidade pós-moderna. Então, diante das condições básicas para se alcançar esta felicidade-capital, há uma exclusão social nata. Nem todos tem acesso ao Excel…ou à alfabetização.

Então surgem um paradoxo e uma dogmatização.




No primeiro caso, a ilusão do bem estar via melhoria econômica atinge em cheio as pessoas que não têm base para o aperfeiçoamento do senso crítico intelectivo. É bobo imaginar que um menino, vindo de pais socialmente doentes, desnutrido, morando em regiões de guerra e sem base moral, conseguirá ter grandes recursos financeiros. (obs: a exceção é o erro. Não cito a exceção pois é perda de tempo).

Seu desejo de ter dinheiro é inversamente proporcional ao senso crítico sobre o tê-lo.

Ele desaparecerá em frustrações ou se renderá a simbolismos confortantes.
No segundo caso, dentro do dogma, todos os recursos são gastos para assegurar o capital. As pessoas treinam e se aperfeiçoam com este único objetivo e matarão para manter o tabuleiro ideológico.

meritocracia - vencer na vida

Outras formas de felicidade? Novamente não olharemos as exceções.
O jogo aqui é chegar à felicidade através do poder e do dinheiro. Quem coloca as regras age no pensamento consequencialista.”Vencer na vida”, para o pensamento deste artigo, é o TER para ser feliz.
João é pobre e se esforça bastante para ser uma bela peça do tabuleiro. 99% dos Joãos trabalharão para Maria.
Maria nasceu rica e é treinada para segurar sua fortuna.

meritocracia

Outro exemplo. Se você estudar, será um bom professor de português.
Se tirarem de você o prato de comida, dane-se o português. Ao faminto cabe a fome. É só elevarmos este pensamento a uma concepção macro, incluindo o paradoxo do estimulo do desejo que citei.
Milhões de concepções morais são as diferentes peças do jogo; valores distintos e códigos de ética, as regras.

Quanto à exceção: as maiores mentes do planeta.
Quanto ao erro, uma concepção neodarwinista de alteração genética. A evolução se dá por erros bem adaptados.

Um dos maiores sociólogos do mundo, chamado Pierre Bourdieu, coloca um vínculo da meritocracia com o sistema escolar:

“Seria necessário introduzir, numa descrição do campo dos conflitos, instâncias que nunca nomeadas, como a Escola, que contribui para inculcar, entre outras coisas, uma visão meritocrárica  da distribuição das posições hierárquicas, por intermédio do ajustamento dos títulos (escolares) nos postos, ou nas forças armadas cujo papel é capital na preparação da operarização. (…) A ideia, inculcada pela Escola, de que as pessoas ou os postos que elas merecem em função da sua instrução e dos seus títulos desempenha um papel determinante na imposição das hierarquias no trabalho e fora do trabalho: considerar o título escolar como o título de nobreza da nossa sociedade não é uma analogia selvagem; tem um papel capital no processo de inculcação das boas maneiras nas relações de classe”.
(Pierre Bourdieu – Questões de Sociologia)

 

por Francisco Arquer Thomé

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